07/05/09
Pieces de 'o aleph' de Jorge Luis Borges
"...os olhos eram desse azul entediado que os ingleses chamam de cinzento."
"I´m looking for the face I had
Before the world was made" (YEATS: The Winding Stair.)
"Qualquer destino, por longo e complicado que seja, consta na realidade de um só momento: o momento em que o homem sabe para sempre quem é."
"Antes, me interessou a teologia, mas dessa fantástica disciplina (e da fá cristã) me desviou para sempre Schopenhauer, com razões diretas; Shakespeare e Brahms, com infinita variedade de seu mundo. Quem se detiver, maravilhado, trêmulo de ternura e gratidão, ante qualquer parte da obra desses homens felizes, saiba que também eu me detive aí, eu, o abominável."
"...já que, apesar de não carecer de valor, me falta qualquer vocação para a violência."
"No primeiro volume de Parerga und Paralipomena reli que todos os fatos que podem ocorrer a um homem, desde o instante de seu nascimento até o de sua morte, foram prefixados por ele. Assim, toda negligência é deliberada, todo casual encontro é um encontro combinado, toda humilhação é uma penitência, todo fracasso é uma misteriosa vitória, toda morte é um suicídio. Não há consolo mais hábil do que o pensamento de que escolhemos nossas desgraças; essa teleologia individual nos revela uma ordem secreta e prodigiosamente nos confunde com a divindade."
"Minha carne pode ter medo; eu não tenho."
"Segundo a doutrina idealista, os verbos viver e sonhar são rigorosamente sinônimos; de milhares de aparências, passarei a uma; dum sonho muito complexo a um sonho muito simples."
"Um deus, refleti, só deve dizer uma palavra e nessa palavra a plenitude."
"O God, I could be bounded in a nutshell and count myself a King of infinite space." HAMLET, II, 2
"Em pequeno, eu costumava maravilhar-me com o fato de as letras de um livro fechado não se misturarem e se perderem no decorrer da noite."
"...que o mundo inferior é o espelho e o mapa do superior; para a Mengenlebre, é o símbolo dos números transfinitos, nos quais o todo não é maior que qualquer das partes."
22/04/09
Medo
De ser infeliz
De ser sozinha
Não ter com quem
Dividir o dia
Todos os dias.
Não ter companhia
Pra besteirinhas
Nem quem desfaça os nós dos meus cabelos
Me coloque pra dormir, feche a porta
Boa noite
Preciso mesmo disso?
20/03/09
Olá fossa!
11 de março de 2009
Olá fossa, velha conhecida.
Aqui estou de novo.
Tristeza! Há quanto tempo não te via,
Saudade de você, te aprecio muito
Não fiquem felizes, amigas, em me ver
Não pretendo ficar muito tempo
Só o tempo de eu descobrir quem sou
E o que vim fazer aqui.
O tempo de eu descobrir o que quero
Pra ser feliz
Pra ser quem sou
O tempo de eu criar coragem
E largar tudo isso aqui
O que me incomoda, o que não quero mais
Tapar os ouvidos para o que não é verdade
Logo eu me acho
Logo me enxergo, me entendo
E sigo feliz
Simples e Feliz.
PaulaschowartZ
13/03/09
Enigma
Eu e Você
O que nós somos?
O que já fomos?
Sinto algo forte, explosivo
Delicado, frágil
Sutil
...silenciosamente inexplicável.
Vontade de te abraçar forte
Abraço de reencontro, vai saber?
Abraçar sincero, por horas
Até nós encontrarmos nossas respostas juntos
O que você é pra mim?
Que será que foi?
O amor que sinto por ti é... misturado
Um pouco de pai, de irmão, de amante
Um amor estranhamente puro
Puramente perigoso
Esse perigo, bem fraquinho, lá no fundo
Como uma fina linha que, se cortada
Leva a pureza toda embora
Eu te amo como a criança ama o herói
Onde não entra malícia
Te amo tanto, em silêncio
Em paz.
Paz de deixar você voar, te olhar de longe
Ver você sendo feliz, te encontrando às vezes pela manhã
Sem querer...
Temos tanto a falar um pro outro
Tanto a lembrar, de coisas nem vividas
Saudade pra matar, uma saudade de milênios...
É bem isso que eu sinto por você.
O que nós fomos?
Amor de te dar uma flor
Uma borboleta amiga
Uma pedra colorida
Te zelar de longe
Aparecer pertinho às vezes
Fazer feliz em segredo.
E isso tudo é só
Pra você ver o amor que andam sentindo por você mundo afora...
PaulaschowartZ
02/03/09
Ah, Borboleta
(algum dia de Fevereiro de 2009)
Ei, borboleta, qual sua cor?
Você voa, voa
Tão alto
Qual sua cor?
Tão feliz, tão mágica
Às vezes quero ser você
Você é mágica mesmo?
Ou só é assim vista por mim?
E outros possíveis
Olhos sensíveis no mundo.
Às vezes pensando em você
Chego à resposta que queria
A resposta está em qualquer lugar, Borboleta
Por que a pressa?
Por que tão travessa?
Esse ar à toa
De quem
Aprendeu a voar.
PaulaschowartZ
21/11/08
12/11/08
Pra onde vão?
Para onde vão os gritos eufóricos
os choros verdadeiros
as palavras surdas
as risadas marcantes
que vivemos?
Grudam nas paredes?
Ficam pelo ar - como energia?
nuvens?
estrelas?
Ou somente existem na memória,
no mundo das idéias passadas
de quem os viveu?
É possível alguém andar na rua
árvores, esquinas, bancos
Gritando emoções alheias nos seus ouvidos?
É possível acessar
Colher um momento que
Não lhe foi seu?
Talvez
cada objeto
lugar, cheiro, foto, vinho, esquina
são bolsinhos de momentos
nódulos cheios de beijos
abraços, facadas, olhares, palavras
Olhamos, mas não vemos
Mas estão lá
E nunca deixarão de estar
para quem quiser pesca-los.
PaulaschowartZ
